Avaliação do status atual das interações plantas-polinizadores

Com os dados obtidos de dissertações, teses e artigos delas resultantes, foram construídas planilhas distintas, de acordo com a metodologia utilizada para análise das relações entre abelhas e flores:

a) Coleta padronizada, metodologia elaborada por Sakagami et al. (1971), com modificações diversas. Basicamente, estabelece-se um transecto na área a ser estudada e os espécimes de abelhas são coletados nas espécies floridas durante um tempo pré-fixado, ao longo de todo dia, geralmente ao longo de, no mínimo, um ano.

Foram construídas planilhas com os levantamentos de abelhas nas flores, realizados nos mais variados biomas (Mata Atlântica, cerrado, caatinga, dunas, campos rupestres, Floresta de Araucária, restinga, ambientes urbanos, etc.), totalizando 86 estudos, que cobriram 133 áreas de amostragem, na mesma localidade ou em localidades distintas. Destes, 73 amostraram as áreas por um período de pelo menos um ano (111 áreas de amostragem); 13 estudos foram feitos em períodos inferiores a um ano (22 áreas de amostragem), reunidos a partir de 129 referências bibliográficas (dissertações, teses e artigos). No caso de artigos resultantes de dissertações ou teses, os dados foram comparados e conferidos com os originais.

Doze levantamentos (10 com mais de um ano e dois com menos de um ano) não incluíram na apresentação dos resultados os dados referentes a Apis mellifera (um não incluiu também Trigona spinipes), por serem consideradas muito abundantes. Dos 73 levantamentos com mais de um ano, somente 16 foram realizados no Estado de São Paulo, cobrindo 25 áreas de amostragem, na mesma localidade ou em localidades distintas.

Nos levantamentos, foram detectadas áreas pouco ou nunca amostradas com metodologia padronizada, como as regiões amazônica e centro-oeste. Embora os trabalhos selecionados tenham utilizado basicamente a mesma metodologia, várias distinções entre eles tornaram as análises mais complexas: tamanho das áreas amostradas e seu entorno, peridiocidade de coleta (semanal, quinzenal, mensal), duração do levantamento (um a três anos, e um a 10 meses), adição de outras metodologias de coleta, como utilização de iscas, etc.

Aproveitando o esforço, foram coletados dados também de levantamentos realizados em uma ou poucas espécies vegetais. Os dados também foram separados de acordo com o período total do levantamento: menos ou um ano ou mais de coleta. No total, temos 26 levantamentos, com estas características, em 45 localidades.

b) Análise polínica do alimento coletado pelas abelhas – com esta metodologia, obtém-se uma avaliação indireta das relações abelhas-flores. O material coletado pelas abelhas (armazenado ou na entrada da colônia) é submetido ou ao processo de acetólise (Erdtman, 1960) ou examinado a fresco, para identificação e contagem dos grãos de pólen presentes nas amostras de pólen, mel ou néctar. Nos trabalhos mais recentes, a contagem já foi corrigida de acordo com o volume de cada grão de pólen.

Como existe muito pouca informação a respeito das demais tribos e famílias, os dados coletados referem-se às abelhas eusociais das tribos Apini e Meliponini, que representam 99% dos trabalhos que utilizaram esta metodologia. No total, foram obtidos dados de 44 trabalhos, reunidos a partir de 59 referências bibliográficas (dissertações, teses e artigos).